sábado, 23 de agosto de 2008

A angústia de se auto-desconhecer

Dicionário: do Lat. angustias. f.,
estreiteza;
aperto;
limitação de espaço;
opressão;
aflição;
desgosto;
tribulação;
agonia.
Alguns passam a vida toda sem saber quem são, outros passam a vida toda tentando descobrir, alguns não se importam, outros não pensam nisso, alguns acham que se conhecem mas poucos de fato conseguem.
Eu digo, eu faço, eu acho, eu penso, eu opino, eu afirmo, mas eu coloco em prática? Eu penso primeiro nos outros e depois em mim, eu digo que não julgo, eu afirmo que é necessário primeiro perguntar e depois se necessário discutir, eu faço a minha vida valer a pena, eu dou a minha opinião mais sincera sempre, eu achava que fazia tudo isso. Descobri que penso sempre em mim primeiro, em um coro interno: eu, eu, eu, percebi que julguei, notei que discuti sem antes perguntar, me dei conta que não faço a minha vida valer a pena, sobrou a minha opinião mais sincera.
Medo: eu não me conheço.
Um dia conversando com o meu namorado, eu disse: ah eu sei, eu te conheço. Ele respondeu: você só provou que não me conhece. A verdade: nem eu me conheço e nem ele se conhece, conseqüentemente, nós não nos conhecemos.
Eu ando assustada com as descobertas, criei um sistema de anotação para reler os meus atos e posturas durante o dia, se é eficiente eu não sei, mas espero que não seja preocupante.
Olho para os lados e vejo as pessoas boiando em um mar de idéias e práticas que não se misturam, vejo poucos nadando e quase nenhum alcança a terra firme. Onde eu me encaixo? Acho que ainda estou boiando, espero aprender a nadar em um futuro próximo ou continuarei na angústia de descobrir quem eu sou.
Preciso me entender para depois tentar entender os outros.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A menina que roubava livros


Primeiro: demasiadamente triste.
Segundo: o autor tem um dom magnífico para fazer chorar.
Terceiro: a morte parece mais humana do que os seres humanos.

Eu comecei a ler em abril mas parei, algo não havia chamado a minha atenção mas como eu não me dou por vencida e livro pela metade é quase um despautério, eu resolvi terminá-lo.
Li dois ou três capítulos por noite mas não me agüentei quando vi que a maior parte já havia sido lida e faltava apenas algumas páginas, terminei o livro às 2h da manhã de terça-feira e chorei até as 3h.
A dor do mundo dói em mim.
Não sei se com vocês era assim mas quando eu era criança e via meninos de rua, mendigos, pessoas doentes e paupérrimas pelas ruas, sem ter o que vestir, o que comer ou onde morar, eu chorava baixinho e pensava comigo mesmo por quê, porque havia de ser assim, por que eu tive sorte e por que eles não tiveram? Eu cresci e tenho as minhas teorias sobre isso mas ainda me dói o coração ao ver injustiça, maldade e sofrimento. Muitas vezes eu fecho os olhos, com o tempo percebi que se estivesse sempre de olhos abertos não me permitiria sentir a alegria. Por isso atualmente sou adepta do seguinte ditado: "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". O que eu quero dizer com isso tudo é que o livro aflorou a compaixão, senti a mesma tristeza de quando eu era pequena e aprendi mais uma lição, preciso abrir os meus olhos de vez em quando.
Sim, essa obra vale a pena ser lida pelo uma vez e já tem um lugar cativo na minha estante, só que por enquanto ela vai continuar fechada.

sábado, 9 de agosto de 2008

Chocolate (???) Hershey's

Se é que isso pode ser chamado de chocolate.
Vejam a seguinte cena: sábado, almoço em casa, peixe frito, comidinha da mamãe, Olimpíadas na TV, torcida pelo Brasil, tudo legal e bonitinho, bom humor, família feliz e unida. Hora da sobremesa, vamos abrir uma barra de chocolate ao leite da Hershey's, eu pego um pedaço, dou uma mordida e faço cara de nojo, "o que é isso?", é uma porcaria de um doce duro com gosto de caramelo açucarado ora bolas! É, isso é o que é o chocolate da Hershey's.
Eu nunca gostei muito dos produtos da marca mas até que as gotinhas se safavam e na época de colégio eu dividia aquela gota enorme com outras meninas mas barra de "chocolate" da marca eu nunca foi fã, tanto que quando ia/vou ao mercado é a primeira marca que faço questão de NÃO comprar, mesmo que esteja absurdamente barata. Mas o meu pai TINHA a mania de sempre trazer esse "chocolate" para casa, eu como chocólatra que sou comia um pedaço da barra de chocolate duro e nada saboroso, mas agora está ainda pior, nem lembra gosto de chocolate, na verdade me lembra aqueles doces de leite de festa junina, duro e açucarado, horrível! Nem eu, uma das mais chocólatras da casa, consegui comer essa barra de doce dura. Resolvi entrar no site para enviar uma reclamação e qual a minha surpresa? Tenho que cadastrar meus dados pessoais para isso, ah pelo amor dos chocólatras assumidos, eu não quero ser cadastrada na Hershey's, eu não quero receber correspondências e novidades no e-mail, eu quero só fazer uma reclamação e nenhum vínculo, acabou. Sinceramente? Para comer um bom chocolate ultimamente é necessário gastar no mínimo 20 reais em uma barra e que a Kopenhagem permaneça por toda a eternidade!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Noitada no ponto de ônibus

Há um tempo, não lembro exatamente quanto tempo mas já tem meses com certeza, creio que mais de 1 ano, eu e uma amiga decidimos ir a uma boate no bairro próximo, só que não deu muito certo, demoramos muito para sair de casa e o ônibus não passava (sim, nenhuma das duas com carteira). Alguns meninos de 16-17 anos estavam passando na rua e pararam no ponto, puxaram conversa e fizemos uns coleguinhas, já estávamos fadadas a passar a noite de sexta em casa, que mal faria bater papo com alguns adolescentes? Decidimos ir a padaria (que também é uma lanchonete, restaurante e paga de barzinho) tomar uma cerveja e passar um tempo e os meninos no nosso encalço. Tudo tranqüilo, um copo quebrado, uma olhada da gerente mas tudo certo. Hora de ir embora e nada dos meninos saírem da nossa cola, um foi escolhido para pedir o telefone e estava tão nervoso que fiquei sem graça de negar, ok, dei o celular. Fomos andando e o meu prédio era mais perto do que o deles, logo, ficaram sabendo onde eu moro. Dia seguinte, várias ligações no celular, tentativas e mais tentativas para eles entenderem que não estávamos interessadas mas tudo em vão. Chegou a hora de tentar chegar a alguma boate, banho, roupa, sapato, maquiagem, essas coisas e lá vamos nós pegar o busão...até que...quem estava em frente ao prédio? Dois do grupinho que conhecemos. Oh não, não creio! Bem, na certa eles já haviam escolhido as suas preferidas e chegando ao ponto um deles pediu para conversar com a minha amiga, ao meu ver o mais atiradinho pois o que ficou nada falava, parecia nervoso demais até para olhar para mim e também, coitado, eu não dei nem chance do menino começar a falar algo, eu me mantive muito interessada no ônibus, rsrs.
Enfim, por que eu contei isso? Historinha boba de um final de semana considerado fracassado por nós duas. Porque mesmo não conseguindo chegar a boate, mesmo passando a noite de sexta em um ponto de ônibus, eu lembro e dou risada, ao juntar tudo até que foi divertido.
Engraçado foi ver como os meninos eram bonzinhos, tanto que não fomos grossas ou irônicas com eles, meninos bonzinhos hoje podem viram homens ruinzinhos amanhã.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Crepúsculo - Saga Twilight


Assumo que tenho certo preconceito com os livros mais vendidos, sempre imagino uma história mamão com açúcar, bem fácil de ler e sem muito o que se pensar mas estou me surpreendendo, comecei com Harry Potter, que é uma história fácil mas contagiante, daí me rendi a eles, os livros das bancadas mais vistas das livrarias, e a experiência tem sido ótima.
Você acredita em vampiros? Eu não, eles são muito mentirosos mas fora isso, a lenda mais conhecida é que são seres sedentos por sangue humano que não podem sair durante o dia, são extremamente brancos, gelados, costumam ser ricos e por fim, imortais. E era o que eu esperava de um livro de vampiro, um ser imponente, frio, sanguinolento e que vive em uma mansão escura e dorme em caixão, mas esse é diferente, só não direi como é diferente porque se você quiser ler eu estragaria boa parte da história, posso dizer que dá até vontade de conhecer um vampiro ou quem sabe de ser um?
Outra coisa que me impressionou nesse livro foi o modo como a protagonista, Isabela Swan, lida com o fato, as suas reações não são previsíveis e talvez ela tenha algo um pouco suicida mas mesmo assim muito interessante.
Esse eu li em dois dias, e como sempre, apesar de ter em mãos uma obra que me agrade, sinto-me triste ao chegar ao final pois é uma história que eu gostaria de viver por meio das palavras, até que...surpresa! É uma saga, são cinco livros e o segundo estará disponível a partir de outubro. Só tem uma coisa que eu não gostei nisso tudo, o filme será lançado em dezembro e espero que seja apenas do primeiro livro, prefiro ler primeiro e depois assistir.

domingo, 29 de junho de 2008

Quando Nietzsche Chorou - Parte II

Primeiro quero escrever sobre a sensação triste que me acomete quando eu termino um livro de que tanto gosto, não nego a minha curiosidade com o desfecho da história mas ao mesmo tempo sinto que será difícil encontrar um livro igualmente interessante ou estarrecedor. Vivo a procurar alguns que entrem para o meu próprio acervo pessoal de preferência e ultimamente tenho tido bastante sorte.
Agora voltando ao assunto principal desse post, vim aqui escrever sobre o enredo mas vejo que o meu pensamento se retém muito no próprio Nietzsche e suas obras, tanto que aprendi a escrever seu nome sem recorrer a nenhuma fonte.
Fica difícil dizer quem é o personsagem principal, se é o Breur (sim, o mestre de Freud) ou a quem deve-se o título da obra, mas ao refletir bem acho que são dois.
No final do livro tem as considerações do autor, e este disserta sobre os fatos consumados em vida real e sobre os fatos consumados através de suas palavras. É interessante como ele produziu Nietzsche de acordo com as suas obras, biografias e testemunhos de quem o conheceu. Penso que se ele foi assim, era uma pessoa difícil, com interpretassões tão reveladoras que no fundo fazem o maior sentido mas no desenrolar eu não me via apta a chegar a tais conclusões sozinha mas me peguei diversas vezes processando as suas idéias, ou melhor, os seus ensinamentos.
Penso em ler alguma obra de sua própria autoria, talvez Humano, demasiadamente Humano ou Assim falou Zaratrusta, quem sabe? Tenho que ter a paciência de voltar várias vezes ao mesmo ponto.
Nunca achei que me interessaria por Filosofia mas vejo que algumas ciências humanas muito me interessam, coloco nessa lista psicologia e sociologia.
"O que não me mata, me fortalece."
Friedrich Nietzsche.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Dinheiro: ele vai mas parece que não vem

A minha relação com o dinheiro é tão efêmera quanto casamento de famosos. Não quero dizer que cortei relação com ele ou que eu resolvi morar em uma cabana e plantar o que consumir, não faz o meu estilo, eu sou nascida e criada em cidade grande, o consumismo já está impregnado em minhas veias, acho que já atingiu todos os meus órgãos pois eu sou o que pode-se chamar de jovem da geração "Quanto mais comprar, mais satisfeito ficará". Eu quero dizer é que assim que o dinheiro aparece em minha carteira, ele vai embora sem maiores delongas, é uma relaçao tão rápida que eu não chego nem a ler as promessas que algum desafortunado escreveu na nota.
Olhando bem ao meu redor vejo que não estou sozinha nisso, tenho amigas que compram mais ou tanto quanto eu, já conheci pessoas que não podem mas compram mesmo assim. Só um adendo, estou online no MSN e uma amiga me chama para conversar, qual a sua primeira novidade? "Fiz comprinhas x-)". Notem bem essa carinha feliz. Ela provavelmente lerá isso aqui e não estou te recriminando, só resolvi escrever sobre a nossa não-relação com o dinheiro.
Alguns dizem que é amor pelo dinheiro, vontade de ser rico, querer ter todo o dinheiro do mundo ou pelo menos todo o dinheiro do Bill Gates. O que eu acho? É uma ligação bem simples: dinheiro - poder de compra - satisfação pessoal momentânea - status - poder - dinheiro - poder de compra - ...e assim vai até o fim da vida.
É automático, é rotineiro, dinheiro para comer, dinheiro para morar, dinheiro para viver e não sobreviver.
Enfim, o que pode-se chamar de doentio? Aquele que economiza cada centavo porque nunca se sabe o que vem pela frente, o chamado pão-duro, ou aquele que dinheiro na mão é vendaval? Ou os dois?
Eu ainda não aprendi a ter uma conduta saudável quanto a isso, e acredito eu que pela a minha ânsia de comprar, comprar e comprar, será algo bem difícil de mudar.