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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Como foi o Natal?

O meu foi tranqüilo, não foi tão triste como eu pensei, na verdade ninguém derramou lágrimas, apenas fizemos uma oração às 0hs e depois cortamos o bolo sem cantar parabéns, o que foi bom, pois isso sim eu acharia deprimente demais. Só que no dia 25/12 eu não fui à missa, não que eu vá sempre nessa data, e já deixei claro qual a minha orientação cristã, mas ela significou uma homenagem à minha avó. Eu não fui porque não quero chorar, pelo menos não agora, estou exausta da tristeza e admito, estou fugindo dela.
Fora isso, eu comi docinhos, aaa docinhos, estava sonhando com açúcar, dieta não é brinquedo não!
E o Natal de vocês, como foi?
P.S. Estou sem computador mas ainda consigo conectar, só que não dá para escrever no blog quando tenho assunto ou inspiração.

sábado, 20 de dezembro de 2008

E mais uma vez eu lembro

No pequeno post abaixo eu disse que esqueço que a minha avó não estará aqui, na verdade não acho que seja esquecer mas eu deixo de lembrar. 
Li um post no blog da Vanessa que me fez pensar na morte, nesse ano, na minha vida. E cheguei a conclusão de que as palavras da minha mãe nunca fizeram tanto sentido quanto agora: "aproveite isso, aproveite a sua avó e a sua família, o tempo passa rápido", não foram exatamente essas palavras pois eu era criança e não consigo lembrar com exatidão mas ficou na guardado na minha memória até que eu pudesse compreendê-las.
Eu sinto tanta falta dela que eu nem sabia que me sinto assim.
Ela não vai estar aqui no Natal, é no dia 25/12 que ela completaria 74 anos e é também no dia 25/12 que completa 1 mês de seu falecimento.
Ela não estará aqui...
Eu não sei o que fazer.

Vó, me desculpa pela falta de atenção e presença nesses últimos tempos, eu sei que eu fiquei mal, eu me isolei do mundo e talvez nem pudesse mesmo fazer muito por você, mas me perdoa. Se eu pudesse eu voltaria no tempo e faria diferente, nem que fosse uma ligação por dia. Vó, eu te amo, por favor me perdoa.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Vó

As vezes eu não acredito que a minha avó não estará aqui no Natal.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Hoje foi um dia muito bom!

Hoje eu quero ser simples e curtir a felicidade.
Hoje o meu dia foi muito bom!

Obrigada pai, te amo!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Em luto

O que é estar em luto? É parar com a vida e só chorar e sofrer? Pode ser, dependendo do caso. Agora para mim é fazer qualquer coisa e lembrar da minha avó, estar sempre com algum momento passado na cabeça, dar um sorriso de lado ao lembrar de algo feliz, ficar triste e até soltar uma lágrima ao pensar que ela não estará mais lá.
Estar em luto tem tantos significados diferentes e pessoais, mas eu só conheço o meu modo.
Eu sei que a minha avó gostaria que eu gritasse ao mundo a sua falta e dissesse para todos que eu puder o quanto a amo, então é por isso que escrevo mais uma vez sobre esse assunto.
Eu continuo com raiva de como ela faleceu, ela sofreu e é difícil dizer que ela não merecia, pois foi como ela escolheu, é como eu digo em alguns posts: você é responsável por si mesmo e as suas escolham resultam na sua história. Mas ao mesmo tempo, eu sei das dificuldades emocionais que a minha avó tinha, da depressão e desânimo, ela simplesmente desistiu de fazer qualquer esforço, se entregou a todos os males e seus olhos não mais enxergavam as coisas boas da vida. Seus filhos fizeram de tudo para ajudá-la mas não dá para ajudar quem não quer ser ajudado.
Então se você está passando por uma fase difícil, se acha que viver é muito complicado e que não vale a pena, ou se acha que é muito pior do que os outros e não tem capacidade para coisa nenhuma, então procure ajude, não há nada de mal nisso, a vida acontece desde o momento que você faz acontecer. Eu sei que pode ser seguro estar preso nessa realidade, não há decepções, não há desafios, mas sobreviver assim? A vida é muito mais do que o medo, há muita coisa para ser experimentada e você não pode ficar fora dessa!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

"Tchau Dona Guigui"

E foi a frase do meu tio que me fez desabar em lágrimas: "Tchau Dona Guigui."
Minha avó faleceu hoje e apesar do apelido seu nome era Nelza. Não sabemos porquê, é mais uma daquelas coisas de criança, quando o meu primo/afilhado começou a falar acostumou-se a chamá-la de Guigui, não há nenhuma relação do nome com o apelido mas o adotamos.

Eu passei bem na parte do hospital, ouvi a médica dizer que fizeram de tudo mas infelizmente não conseguiram reanimá-la, mas quando eu estava no cemitério e a vi dentro do caixão, eu fiquei desnorteada, sentei em uma cadeira solitária e assim passei as horas, olhando para o nada sem dizer uma palavra, as vezes soltava algumas lágrimas silenciosas, eu não queria abraços e nem ninguém perto de mim, estava eu e minhas lembranças. Até que na hora de fechar o caixão para levá-la, meu tio deu adeus a Dona Guigui, eu lembrei dos meus primos ainda crianças, lembrei dos momentos mais recentes e chorei o choro doído.

Eu acredito que aqui é apenas uma passagem, a verdadeira vida está em outro lugar e sei que ela está bem mas não consigo evitar de ser humana, de chorar a saudade, as lembranças, a falta que ela irá fazer. 
Ela não era perfeita mas apesar de todos os pesares, conseguia dar risada quando alguém fazia algo engraçado e era uma risada verdadeira. Quando eu era criança, ela me fazia balinhas de açúcar com limão, preparava comidas gostosas e inventadas, deixava eu brincar de fazer comidinha e me ensinou a tomar café com leite. Ela também fazia as suas gracinhas, foi brincar de dentista com meu irmão e ele não sabia que ela usava dentadura, então tá ele lá com um aparelho de brinquedo e ela começa a colocar os dentes para fora, o menino arregalou os olhos assustado. 

Vou escrever aqui uma imagem bem crua de como ela morreu. Minha avó fumava desde adolescente e nunca teve força de vontade para parar, a idade chegou e com ela vieram as complicações, bronquite asmática, pneumonia e enfisema pulmonar, essas doenças caracterizam o que os médicos chamam de DPOC (Disfunção pulmonar obstrutiva crônica ), ou seja, o pulmão estava virando pedra. Além disso, a pele estava extremamente ressecada e sensível, qualquer pancadinha deixava uma marca roxa-preta e qualquer arranhão fazia uma ferida, eu mesma sem querer arranhei o seu braço, o que deixaria uma marca vermelha, no caso dela arrancou pele. Ela faleceu no hospital ao ser entubada mas antes disso sofreu tentando respirar, eu a vi desacordada e tremendo para conseguir puxar algum ar. Se não fosse o cigarro ela estaria viva e muito bem, todos os exames dela tiveram um ótimo resultado, nada de pressão alta ou baixa, glicose, diabetes, nada, apenas a morte lenta por conta do cigarro.
Depois de passar por isso na família e ver a minha avó morrer lentamente e de um modo sofrido, só posso considerar burro e estúpido quem decide começar a fumar, a não ser que seja um suicida masoquista. Quem já tem o vício, então procure ajuda médica, masque chicletes, cole adesivos, o que for, mas não maltrate os seus pulmões assim.